Suspensão do programa Jimmy Kimmel Live!

"Jimmy Kimmel Live!" é um programa noturno americano apresentado por Jimmy Kimmel, um nome de renome que alegra as noites nas casas americanas há mais de 22 anos, trazendo sketches de comédia, animação, celebridades convidadas, momentos musicais e muitas conversas.
O monólogo de abertura do programa iniciava-se sempre com Kimmel a comentar sobre as notícias do dia, tal como política, cultura pop e piadas relacionadas a celebridades que estavam a ser mais faladas durante aquele período de tempo em que o episódio era gravado. De seguida, as celebridades convidadas faziam a sua aparência e conversavam com o host sobre filmes, álbuns musicais, livros ou espetáculos. Ficou um dos talk shows mais marcados por conversas polémicas e momentos emocionantes, ganhando assim vários prémios incluindo Emmy Awards.
Tudo deu uma reviravolta quando no dia 17 de Setembro de 2025 foi anunciado que o programa seria suspenso durante um tempo indeterminado.
O motivo de tal foi um comentário controverso de Kimmel durante um monólogo, no qual ele criticou a reação de alguns conservadores à morte do ativista Charlie Kirk. O apresentador sugeriu que estavam a tentar-se distanciar do assassino ou a capitalizar politicamente o ocorrido.
Charlie Kirk era um ativista político conservador norte-americano, que ficou conhecido principalmente por ter fundado a organização Turning Point USA (TPUSA), que se tornou um dos principais movimentos de mobilização estudantil em defesa de valores conservadores nos Estados Unidos. Aliado próximo de Donald Trump, Kirk era uma figura frequente em eventos universitários, onde defendia pautas tradicionais e atacava o que considerava a liberdade no ambiente universitário e cultural. O estilo provocador de Kirk rendeu-lhe tanto seguidores fiéis quanto fortes críticas de opositores, que o acusavam de disseminar discursos polarizadores e de alimentar divisões políticas.
No dia 10 de setembro deste ano, Charlie Kirk foi assassinado durante um evento na Utah Valley University, enquanto respondia à pergunta de um aluno sendo essa "Sabe quantos americanos trangêneros foram responsáveis por tiroteios em massa na última década?" em qual Kirk respondeu "Muitos". O aluno retribuiu com "Foram apenas 5, e sabe quantos tiroteios em massa aconteceram nestes últimos 10 anos nos EUA?" Kirk retaliou a pergunta com "Estamos a contar com a violência de gangues?" segundos depois foi baleado no pescoço levando a uma morte quase súbita. Como Kirk apoiava o uso e a legalização de armas, muitas pessoas afirmaram que o ativista apoiou o seu próprio homicídio, enquanto outros foram para as redes sociais partilhar imagens das crianças e da mulher de Kirk, que estavam presentes no dia do falecimento a assistir ao evento, a orar por elas e a dizer que foi um crime que mostra como não temos direito a ter opinião própria.
Depois do anúncio da suspensão do programa, as reações foram imediatas e em quantidades imensas. De um lado, vários grupos conservadores e parte da imprensa de direita ficaram satisfeitos com a decisão da ABC, canal network onde era transmitido, considerando-a uma resposta necessária às declarações que Kimmel fez. Para estes, foi um comentário insensível e ofensivo para quem apoiava o ativista. Houve também uma pressão institucional da parte do presidente da Comissão Federal de Comunicação, Brendan Carr que apoiou publicamente a suspensão e incentivou as afiliadas a não exibirem mais este talk show.
Por outro lado, fãs, jornalistas e figuras ligadas ao meio artístico reagiram com indignação, interpretando este ato como censura e ameaça à liberdade de expressão. Nas redes sociais como Tik Tok, Instagram e X diversos membros de Hollywood que apoiam Kimmel, como, por exemplo, Ben Stiller, Wanda Sykes, Sophia Bush, John Legend e Chris Hayes, ressaltaram que o humor político sempre foi uma parte central do formato do programa e que não se justifica um afastamento indefinido.
"Jimmy Kimmel Live!" Já é o segundo talk show a encerrar portas, sendo o primeiro o "The Late Show" pelo host Stephen Colbert que foi despedido também no passado mês.
Joana Monteiro